Barbearia retoma o seu posto de destaque em Campinas

Para a alegria dos homens, os antigos “salões” masculinos resgatam sua força e importância.

A profissão de barbeiro resisite ao tempo e tem uma clientela fiel. É difícil precisar quantos barbeiros atuam no mercado mantendo viva uma atividade antiga que tem como principal missão cuidar da aparência e higiene do público masculino.
Seja para atuar nos salões instalados há décadas no Centro de Campinas ou estabelecimentos no Cambuí, a profissão está cada vez mais em alta. Tanto é verdade que as 360 franquias do Instituto Embelleze espalhadas pelo território nacional oferecem o curso Barbeiro Academy Hair, 4º mais procurado, com mais de 5 mil inscritos, de um total de 15 cursos oferecidos na rede. Com faturamento de R$ 200 milhões (2013), o Instituto Embelleze prevê que o novo curso significará 10% de seu faturamento. Em menos de dois meses, mais de 4 mil matrículas foram registradas, das quais 70% são de homens…
No Instituto Embelleze, unidade Americana, duas turmas estão em andamento num total de 30 alunos e outra com início em agosto está com inscrições abertas.
De acordo com Angélica Furlan, supervisora comercial da unidade, o curso tem duração de 72 horas em quatro meses de aulas semanais. “É um curso prático com apenas duas aulas teóricas. Atrai desde adolescentes de 16 anos até pessoas mais velhas, de 56 anos. O interessante é que há pelo menos uma mulher em cada turma”, observa a supervisora.
Outra constatação no Instituto Embelleze de Americana é que a maioria dos alunos, geralmente pessoas que atuavam em área completamente diferentes do ramo de higiene e cuidado pessoal, começa a atender a clientela em casa antes mesmo de concluir o curso, que é considerado livre profissionalizante. O enfoque é corte masculino e a barbearia entra como bônus porque andou desaparecendo e agora ressurge como diferencial. “É um curso novo e a procura está aumentando a cada turma”, comemora.
No Cambuí, a Barbearia Cartola, rede com unidade em Vinhedo, emprega oito profissionais e espera aumentar o quadro para 12 barbeiros nos próximos meses, aponta o responsável pelas unidades, Fábio Caldeira. Segundo ele, os integrantes do ‘time’ têm idade média em torno de 30 anos e faz parte de uma nova geração de barbeiros que está retomando a tradição do século passado. A maioria, diz, é formada em escolas de cabeleireiros da região — Campinas e Jundiaí — que estão retomando os cursos de barbeiros devido à demanda dos últimos anos por profissionais qualificados. Mas há, ainda, muitos profissionais que adquiriram experiência no campo e começaram suas carreiras como assistentes em barbearias e salões e depois assumem uma cadeira como titular.
De acordo com Caldeira, nos anos 1970 a popularização dos barbeadores descartáveis levou o público masculino a realizar o serviço de barba em casa, ao mesmo tempo que as mulheres partiram para o mercado de trabalho na área de salões de beleza. Caldeira também lembra que nos anos 2000 surgiram algumas iniciativas de retomada desse espaço masculino. Nos EUA as barbearias nunca deixaram de existir nos subúrbios, mas começaram a voltar para os centros das cidades nesse período. No Brasil, a partir de 2008 a cidade de São Paulo começou a receber algumas barbearias com a proposta de “serviço clássico e atendimento moderno”. Na Barbearia Cartola os serviços custam R$ 50,00 – barba ou cabelo – e dá direito a uma bebida de cortesia.
Desde 1941 o Salão Astúrias marca presença na Rua Luzitana no Centro de Campinas. Miguel Cocucci, 75 anos, responsável pelo salão, conta que o perfil da clientela mudou. “Os moços gostam de aparar enquanto que o mais velhos preferem barba raspada”, compara. Além de mãos habilidosas o barbear requer lâminas descartáveis.
Tradição
Miguel Coccuci (ao lado), 75 anos, do Salão Astúrias, se dedica ao ofício de barbearDesde que aprendeu o ofício aos 11 anos na barbearia do tio na Itália, Miguel Coccuci (ao lado), 75 anos, do Salão Astúrias, se dedica ao ofício de barbear.
“O segredo para a barba perfeita é ter habilidade”, conta. Pelo serviço, que demora cerca de 30 minutos e é feito com material descartável, o barbeiro cobra R$ 40,00.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o homem brasileiro gasta mais de R$ 80 milhões por ano com beleza.
Entre amigos
No ano passado a Barbearia Cartola abriu sua primeira unidade em Vinhedo, e este ano em Campinas. Diferentemente do passado, quando a expectativa era receber a clientela com intervalos de três ou quatro dias, agora o negócio nas novas barbearias está galgado nos hábitos do homem moderno, que recorre ao estabelecimento a cada 30 ou 40 dias e visita o local semanalmente para manter suas barbas bem desenhadas, informa Fábio Caldeira, responsável pela Barbearia Cartola.
“O público é bastante diverso, de todas as idades e estilos”, conta. Muito clientes, segundo Caldeira, agradecem por tê-los salvo dos salões unissex e do cheiro forte de produtos químicos normalmente usados nos serviços femininos.
Nas barbearias atuais a recepção parece uma sala de estar masculina, com boa música, por exemplo rockn’roll e blues na Barbearia Cartola, cerveja gelada ou uma dose de uísque. “É um local para bater papo com amigos”, diz o empresário do ramo.
Os profissionais que atuam em barbearias de luxo chegam a salários de R$ 3 mil, ganho que pode cair em 50% nos meses de movimento mais fraco. Barbeiro há dois anos, após abandonar a área de assistente financeiro, Marcelo Eduardo Callegari da Costa, 29 anos, formado pela Academia Allyssum como cabeleireiro, conta que, além da navalha bem afiada, a barba bem feita depende de toalhas quentes, uma boa pasta de barbear emulsificada, mãos habilidosas, massagem com hidratante e loção pós-barba finalizando o processo. O rosto inteiro demanda 40 minutos de trabalho e acertar o design da barba cerca de 20 minutos.
Artigo Original: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/06/capa/campinas_e_rmc/184341-barbearia-retoma-o-seu-posto-de-destaque-em-campinas.html

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